domingo, 9 de dezembro de 2012


Fico pensando em quantos grupos existem dentro do universo que chamamos de “cultura de Ibotirama”. Muitos tem expressado o desejo de trazer a tona a diversidade do que ainda resta, mas ainda há tantos separatismos por detrás dessas expressões de boa vontade, que estamos sempre impedidos de avançar. Os dedos estão quase sempre em riste, apontando as falhas, dissipando energia em suscitar culpados, enquanto o tempo vai apagando a memória... Nesse universo, há os que detém o poder formal, os que tem o privilégio da informação, os que decidiram seguir sozinhos o caminho da arte, os que bradam aos quatro ventos, os que se calam amargurados... Há ainda, o silêncio daqueles que não sabem do seu espaço nem da sua voz, como os grupos populares. Há os que sequer sabem o valor do seu trabalho, porque não lhes foi dado o seu espaço. Não tenho nada contra os grupos que se formam, mas é preciso nos despir um pouco dessa magoa que nos corrói. Porque na verdade, de uma ou de outra forma, nosso desejo (acredito eu) é o mesmo. As habilidades de um ou de outro, nunca serão as mesmas, assim como as virtudes e os defeitos. O pensar a cultura precisa extrapolar o universo dos pequenos grupos e das cabeças solitárias. Senão estaremos sempre padecendo dos mesmos males. É preciso construir estratégias para se aproximar do cotidiano das pessoas, sem parecer “conversa chata” de intelectuais. É preciso se aproximar das novas gerações para assegurar que essa diversidade seja um legado para as que estão por vir. Não quero morrer entalada com o canto das lavadeiras, as enchentes do Santo Chico, as histórias de assombrações nos becos... coisas que vivi e que lembro tão nitidamente, mas que correm o risco de irem embora comigo, se eu resolver me calar... Quero muito esse movimento dos grupos e das cabeças se abrindo, da cultura que se impõe, em detrimento de nossas vaidades e de nossas limitações...

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