quarta-feira, 4 de março de 2026

 Eu te sinto Mãe Pequena

na coragem que habita

o meu corpo franzino.

E sei que são teus

os olhinhos puxados do meu pai

do meu filho

os meus e os de vovô Irineu.

Eu te sInto Mãe Pequena

no medo

desse mundo tenebroso.

Do extermínio

e do homem ardiloso.

E quando em mim ecoa

o rugir sedento da onça

é no desabrocrar das flores da juremeira

e dos ipês 

que eu te sinto mãe cabocla.

Eu te sinto no silêncio e no barulho

das águas do rio

em explosão

nas nuvens.

No vôo dos anuns

na alvorada.

Eu te sinto

no meio da natureza

lavando minh'alma

feito queda d'agua.

Na imensidão

do teu saber

feito teia.E quero minha Mãe

o calor do teu colo

minha aldeia.