sexta-feira, 13 de março de 2026

 

Por que a gente aprende a ter medo de se olhar e se reconhecer como belo?

Eu sempre achei que não era de bom tom ficar propagando a própria beleza! Sempre pensando no conto de Narciso e no julgamento alheio. Sempre norteada pela crença Cristã do pecado da vaidade.

Foi no pós avc, pós 50 anos, pós menopausa, pós relacionamento de mais de 30 anos, que eu fiz as pazes com o espelho e passei a me olhar como uma mulher bonita.

Hoje não desperdiço nenhum caco de espelho! Ando sempre enfeitiçada com essa moça corajosa,de sorriso espontâneo.

Viva a liberdade de me amar e de me aceitar como eu sou! 


quinta-feira, 12 de março de 2026

 Nada é mais potente, do que um amor vivido. Daqueles que parecem ler as nossas almas, no silêncio. É como se eu me sentisse gerada no ventre do amor, desse universo grandioso! E eu não me refiro só a vivência homem-mulher. Mas a um sentimento que transcende. Para lá do sexo, eu estou em você. E você estará, para sempre, em mim...

quarta-feira, 4 de março de 2026

 Eu te sinto Mãe Pequena

na coragem que habita

o meu corpo franzino.

E sei que são teus

os olhinhos puxados do meu pai

do meu filho

os meus 

e os de vovô Irineu.

Eu te sinto Mãe Pequena

no medo

desse mundo tenebroso.

Do extermínio

e do homem ardiloso.

E quando em mim ecoa

o rugir sedento da onça

é no desabrocrar das flores da juremeira

e dos ipês 

que eu te sinto mãe cabocla.

Eu te sinto no silêncio e no barulho

das águas do rio

em explosão

nas nuvens.

No vôo dos anuns

na alvorada.

Eu te sinto

no meio da natureza

lavando minh'alma

feito queda d'agua.

Na imensidão

do teu saber

feito teia.

E quero minha Mãe

o calor do teu colo

minha aldeia.


terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

  Ele tinha aquela imponência de quase dois metros de tamanho, pés bem esculpidos, sorriso farto, cabelos prateados, olhos miúdos e profundos, mais o que mais me lembro dele, é do gosto de liberdade. 

Ás vezes isso lhe dava um certo ar de rebeldia. Mas mesmo nesse aspecto, ele era de uma gentileza, que me enebriava.

Foi nele que eu descobri que os pássaros são mais bonitos se lançando ao vento, sem amarras, nem grades. E que há muito mais celas entre nós, do que podemos supor. Ele me ensinou que nem tudo que parece vício, é verdadeiramente um. Pode ser só mais uma forma de expressão.

Foi com ele que o chá amargo fez-se doce e no portal que se abriu, eu o vi guerreiro e urso pacífico, com o cocar sobre a cabeça, interpretando o mundo.

E foi no gozo frenético em que eu quis gritar, que ele me ensinou sobre o silêncio.

Mas a maior lição, ressoa retumbante em meu peito. Por isso, eu nunca consumei aquele pedido de casamento: Não se prende o que nasceu para ser liberto.

E é assim que eu o vejo, todos os dias, nos sonhos que ainda povoam a minha mente: Pássaro imponente, circundando o céu!


quarta-feira, 11 de junho de 2025

 Disseram-me que a vida é eterna guerra, luta

e eu que só me permito uma labuta:

deter-me em frente as belezas do caminho!

(Guerrear é como me perder de mim mesma)





quinta-feira, 23 de janeiro de 2025

 Quando meus avós materrnos Anália e Minervino moravam ali na esquina da JJ Seabra (antiga rua do Quebra Perna), lembro  do entra e sai dos vizinhos: Dona Tavinha, Dona Francisca, Dona Honorinda; do outro lado, Dona Nô, Dona Caçula. Todos tinham algo plantado no quintal. A casa dos meus avós era uma espécie de pomar e ainda abrigava um galinheiro e um chiqueiro. E do nada, aparecia alguém com pinha, goiaba, mamão, romã, ovos. Eu, menina chorosa, me sentia cuidada por todos, naquela frase: O que foi, Taminha? As crianças, eram cuidadas pelo coletivo e  entravam  e saiam das casas, com total liberdade.  Num tempo, em que as portas das casas se fechavam tarde, sob a luz de lamparinas fracas e lanpiões a gás.

Ali na rua primeiro de janeiro, onde moravam vovô Irineu e Vovó Zefa,meus avós paternos,  lembro da vizinhança dividida com Seu Izidoro, Seu Fabriciano, Seu Tomás. E do café da tarde, tomado com Dona Ruzu.

Tenho a impressão, de que tínhamos mais fartura e vivíamos mais felizes. O que me leva a crer, que a vida faz mais sentido quando vivida assim, em comunidade. E me faz acreditar, que a partilha é o caminho...


quinta-feira, 9 de janeiro de 2025

Vovó Anália certa vez, contou-me com tristeza que perdeu a mãe, aos três anos de idade. Que se recordava com nitidez da genitora doente, sendo carregada em uma rede por algumas pessoas. Depois me disse que no dia em que se casou com vovô Minervino, chorou o dia todo, sentindo falta da mãe com qem convivera por tão pouco tempo! Querendo abraça-la naquele dia tão importane. 
Anos mais tarde, na antiga casa dos meus avós, ali na rua do Quebra Perna, muitas pessoas da família relataram ter visto uma mulher que lembrava Vovó Anália, como se fosse uma aparição. Eu não sei porque, mas havia um consenso de que era a mãe da minha avó, visitando este plano. Eu cresci curiosa sobre estes mistérios. Recentemente, retomei essas lembranças, ao descobrir o nome da minha bisavó materna, a mãe de vovó Anália. E achei lindo o nome Maria Joana. Joana quer dizer agraciada por Deus. E embora eu já tenha encerrado meu ciclo reprodutivo, se tivesse uma outra filha, seria certamente Maria Joana, o seu nome. Seria o meu abraço na avó que eu tão bem conheci e amei e o resgate da ancestralidade que eu sinto tão presente em meus dias. Hoje a chuva me trás saudades da minha avó. Eu a tenho dentro de mim. E eu so queria um abraço de nós três. Eu, Anãlia e Maria Joana. Curando as lágrimas de minha avó, no elo que o tempo não apaga: ancestralidade e amor.