O agro comeu os rios
comeu as matas
devorou a terra.
E depois envenenou o fruto
e nos deu como alimento.
Crônicas, Poesias,Fotografias, Escritas cotidianas para não sucumbir...
Quando Mariana era pequena e você ia trabalhar, eu me lembro de arrumá-la todos os dias, perto do seu horário de chegada, para que você pudesse encontrá-la cheirosa e estilosa como você gostava de vê-la. Eu ajeitava os cachinhos da menina e ela sempre falando que "Tartelo" ia chegar.
Com João Marcelo era a mesma história. Perto da sua chegada das viagens a trabalho (porque eram muitas), eu dava banhos gostosos no menininho. Às vezes ele se aproveitava e pedia banho de espuma, naquela bacia grande. Eu escolhia com cuidado os figurinos. E lhe entregava um menininho arrumado e perfumado.
Agora você está aí e os meninos cresceram. Mas do lado de cá, eu telefono, cobro, aconselho. Busco contribuir como posso, para que eles estejam organizados para a sua volta.
Eu não sei quando você vem, mas eu quero que eles tenham em mente, que quando chegar, quer encontrar suas crias, embora grandes, prontos para recebê-lo. Como sempre foi...
Por que a gente aprende a ter medo de se olhar e se reconhecer como belo?
Eu sempre achei que não era de bom tom ficar propagando a própria beleza! Sempre pensando no conto de Narciso e no julgamento alheio. Sempre norteada pela crença Cristã do pecado da vaidade.
Foi no pós avc, pós 50 anos, pós menopausa, pós relacionamento de mais de 30 anos, que eu fiz as pazes com o espelho e passei a me olhar como uma mulher bonita.
Hoje não desperdiço nenhum caco de espelho! Ando sempre enfeitiçada com essa moça corajosa,de sorriso espontâneo.
Viva a liberdade de me amar e de me aceitar como eu sou!
Nada é mais potente, do que um amor vivido. Daqueles que parecem ler as nossas almas, no silêncio. É como se eu me sentisse gerada no ventre do amor, desse universo grandioso! E eu não me refiro só a vivência homem-mulher. Mas a um sentimento que transcende. Para lá do sexo, eu estou em você. E você estará, para sempre, em mim...
Eu te sinto Mãe Pequena
na coragem que habita
o meu corpo franzino.
E sei que são teus
os olhinhos puxados do meu pai
do meu filho
os meus
e os de vovô Irineu.
Eu te sinto Mãe Pequena
no medo
desse mundo tenebroso.
Do extermínio
e do homem ardiloso.
E quando em mim ecoa
o rugir sedento da onça
é no desabrocrar das flores da juremeira
e dos ipês
que eu te sinto mãe cabocla.
Eu te sinto no silêncio e no barulho
das águas do rio
em explosão
nas nuvens.
No vôo dos anuns
na alvorada.
Eu te sinto
no meio da natureza
lavando minh'alma
feito queda d'agua.
Na imensidão
do teu saber
feito teia.
E quero minha Mãe
o calor do teu colo
minha aldeia.