terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

  Ele tinha aquela imponência de quase dois metros de tamanho, pés bem esculpidos, sorriso farto, cabelos prateados, olhos miúdos e profundos, mais o que mais me lembro dele, é do gosto de liberdade. 

Ás vezes isso lhe dava um certo ar de rebeldia. Mas mesmo nesse aspecto, ele era de uma gentileza, que me enebriava.

Foi nele que eu descobri que os pássaros são mais bonitos se lançando ao vento, sem amarras, nem grades. E que há muito mais celas entre nós, do que podemos supor. Ele me ensinou que nem tudo que parece vício, é verdadeiramente um. Pode ser só mais uma forma de expressão.

Foi com ele que o chá amargo fez-se doce e no portal que se abriu, eu o vi guerreiro e urso pacífico, com o cocar sobre a cabeça, interpretando o mundo.

E foi no gozo frenético em que eu quis gritar, que ele me ensinou sobre o silêncio.

Mas a maior lição, ressoa retumbante em meu peito. Por isso, eu nunca consumei aquele pedido de casamento: Não se prende o que nasceu para ser liberto.

E é assim que eu o vejo, todos os dias, nos sonhos que ainda povoam a minha mente: Pássaro imponente, circundando o céu!


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