Eu admiro essas senhorinhas muito frageizinhas, que andam quase encurvadas, como se fossem quebrar ao meio e se sentam nos primeiros bancos das Igrejas. E que fazem suas preces como se tivessem o olhar num mundo sagrado e pra tudo tem um "Deus acompanhe" e que seguram fervorosamente os seus terços, como se neles se apoiassem para dar os seus passos. Muitas vezes elas resgataram a minha incredulidade, perdida em meus ideais mundanos. Pois só de olhar para elas, tão cheias de fé, em suas mãos miúdas e nas línguas afiadas em preces, era como se Deus as tivesse escolhido para revelar uma dimensão da qual pessoas feito eu, não pudessem enxergar. Ah, senhoras minhas! que parecem contar os passos ao receber a Eucaristia, rosto sereno, amenizando os sulcos que expõem na face. Não parecem censurar, nem julgar os que estão fadados ao juízo final, mas apenas pedir que a misericórdia divina recaia sobre nós!
P.S. Na foto, Basílica de São Pedro, no Vaticano, repleta de Senhoras cheias de fé...
quinta-feira, 17 de outubro de 2013
quinta-feira, 10 de outubro de 2013
terça-feira, 1 de outubro de 2013
quinta-feira, 26 de setembro de 2013
Esse calor e essa agonia
que corrói
não sei o que mais dói
se a pele em total ebulição
ou se esse vulcão que por vezes nego.
Ah, esse desapego que não chega
e essa centelha que vigio.
Estamos mesmo por um único fio!
Enquanto o suor escorre
teu sussuro
labaredas rodeando
nosso mundo...
(Tâmara Rossene)
P.S. Foto de Mariana Bomfim, em seu tumblr - http://misasmausoleum.tumblr.com/
E essa coisa de "sociedade da informação" vem me incomodando...tenho impressão que foi lançada uma maldição sobre nós, mais ou menos assim: terás acesso a todo o tipo de conteúdo, a informações dos quatro cantos do mundo, mas para teu tormento, não saberás o que fazer com elas. Que nível de utilidade você atribuiria as informações que acessa diariamente? o que faz com toda essa gama de informação? há uma parte dela que retorna em prol do seu bem estar ou da coletivividade? me fiz essas perguntas, recentemente. Tive que admitir que perco horas a cata de informações inúteis. Difícil é me livrar delas! por isso acredito veementemente nessa maldição. Estou agora buscando estratégias, para conseguir fugir das suas garras...
quarta-feira, 18 de setembro de 2013
Na minha breve passagem pelo Velho mundo, a memória de tudo aquilo que li e ouvi sobre a história de antigas civilizações, preservada sob meus olhos e nas lições minunciosas dos guias que nos acompanharam, me trouxe a reflexão de como guardamos pouco sobre a história que nos ronda, nas bandas do lado de cá...de nossas árvores genealógicas, sabemos talvez um pouco além da história dos nossos bisavós. Quem foram os nossos antepassados, as famílias que nos antecederam? os nomes dos coronéis, dos fazendeiros, dos primeiros habitantes dessa terra? noutro dia me supreendi com alguém que perguntou porque em toda a Bahia era feriado no Dois de Julho e uns três que estavam próximos repetiram a pergunta. Certa feita me contaram que há certo tempo, na Igreja Nossa Senhora da Guia, encontraram debaixo do antigo piso em reforma, lápides de moradores antigos de Ibotirama e que o Prefeito da época mandou colocar um piso novo em cima. Essa cultura de lançar cimento sobre os vestígios, sobre as ruinas da história que nos pertence não é apenas "privilégio" nosso... O que existia antes do "descobrimento" do Brasil não é considerado de relevância. As urnas da Piragiba, aqui no Muquém do São Francisco, perecem sem o devido valor, tanto quanto em outros lugares. O ciclo da mineração na Chapada Diamantina, apesar de quase aqui do nosso lado é parte desconhecida da história, para a maioria de nós. A história praticamente intacta nos mosaicos, nas imagens, nas pinturas, me trouxeram por alguns minutos de volta pros lados de cá. Bebendo da água da fonte de dois mil anos e pensando em quanto tempo ainda restará preservado, o que escorre da fonte do Velho Chico...
P.S. Na foto, a inscrição em latim "eu vi a água, saindo do templo, do lado direito". Tirada por Mariana, Vaticano, Roma, Itália.
segunda-feira, 16 de setembro de 2013
Quero beber da fonte inesgotável
dos sentidos
que se oferecem nos caminhos infindos
entre o velho e o novo mundo.
Quero o toque profundo da memória
a me perturbar
a ampulheta que se esvai
enquanto cá estou
girando entre pontos colaterais...
girando entre pontos colaterais...
(Tâmara Rossene)
P.S. Na foto, com João Marcelo, na Piazza Santa Maria Del Popolo, em Roma, Itália.
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