sábado, 2 de agosto de 2014


Fico aqui observando essa onda de selfies inundando as redes sociais e embora eu nada entenda de pintura, fiquei aqui pensando em Frida Kahlo e nos tantos auto-retratos que pintou. E na forma como se desnudava nas pinturas, não se auto retratando por vaidade ou por se julgar o modelo perfeito. Mas os pincéis eram reveladores. A paralisia que a tomou quando criança e o acidente de trem alguns anos mais tarde, a incapacidade de gerar filhos, o relacionamento complicado...Fico aqui pensando que a dor retratada nas telas, ora era física, ora na alma. Uma excentricidade na aparência, que por vezes acredito ter sido por fuga. Numa tela, me aparece no colete que lhe aprisionou o corpo, mas não me sugere fragilidade. E volto aos selfies do agora. Haverá em algum deles essa intenção? De mostrar através da imagem algo além do que visualizamos? Do físico revelar o que está implícito? Ou são totalmente esvaziadas de qualquer conteúdo? Será que há algo a mais do que vemos e supomos? Ou,tanto tempo em auto retratar-se em vão?

P.S. Na imagem, Frida Kahlo...

quarta-feira, 30 de julho de 2014


E lá está! 
como se fosse centelha 
nossa casa
vermelha! 
Labaredas do quão intenso guardamos. 
Meus meninos 
teus queixumes 
nosso riso 
nossos planos. 
Um quarteto. 
Até a exaustão
argumentos 
nossos maiores medos. 
Tudo tão nosso e tão guardado 
desejos de nos trancafiar sempre ali 
o ninho que criamos 
nossa caixinha rubi...
                
                   Tâmara Rossene

sábado, 19 de julho de 2014


Me chamou a atenção uma reportagem sobre imigrantes ilegais que saem da Guatemala, Honduras, El Salvador, para os Estados Unidos. A tentativa de pular o muro, pra fugir da pobreza e da miséria, em situação de penúria, lançando fora qualquer vestígio de dignidade, arriscando o pouco que ainda resta. E fiquei pensando que nessa tão propagada globalização em que estamos afundados, há muros em todos os cantos. Principalmente, separando os mais miseráveis dos mais abastados. A aldeia global funciona bem para abrir novos mercados consumidores, ditar costumes, propagar ainda mais, o descartável. A aldeia global funciona, quando é preciso impôr ideologias, com a falsa impressão de que não se pode fugir a uma lógica existente. Como diria Milton Santos, "é como se o mundo se houvesse tornado, para todos, ao alcance da mão. Um avassalador dito global é apresentado como capaz de homogeneizar o planeta quando, na verdade, as diferenças locais são aprofundadas. Há uma busca de uniformidade, ao serviço dos atores hegemonônicos, mas o mundo se torna menos unido, tornando mais distante o sonho de uma cidadania verdadeiramente universal".

P.S. Na foto, atravessando os campos de soja, do oeste da Bahia.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Castelo de Areia

A mesma mão que me aplaude
me aponta.
O mesmo que me bajula
me vira as costas.
Posição e poder
trazem a coroa
e minha corte de volta.
Contanto que eu não ouse
tropeçar pelo caminho...
Seu apreço
castelo de areia

até que venha o próximo vento.
                                      (Tâmara Rossene)

domingo, 29 de junho de 2014


Depois da dureza de uma faxina que ocupou todo o meu sábado, fiquei aqui pensando em certa vez, em que alguém chegou num desses dias em minha casa e disse que jamais me imaginaria assim, de rodo na mão, focada no chão. De outra vez, a minha filha estava com o irmão nos braços na rua e outra pessoa lhe disse que bem sabia, como eram criados os filhos de mães muito ocupadas, pelos irmãos mais velhos, ou pelas babás. E finalizou dizendo que o meu filho deveria sentir mais carinho por ela e pela babá, do que por mim. Engraçado esses rotulos e terrível esse preconceito. Porque trabalho fora, não siginifica que não possa dignificar o meu papel de mãe, nem desprezar os cuidados com o meu lar! Embora alguns parentes muito próximos, adorem fazer piadinhas com as minhas prendas domésticas, eu posso fazer um bobó de camarão maravilhoso, ou optar por comprar aquela deliciosa feijoada que vende ali na esquina da Delegacia. Posso me esmerar em esfregar as manchas do piso até ficar clarinho, ou deixar a pia cheia de pratos durante todo um domingo, para me jogar no quintal com João. Posso passar horas na cozinha, imaginando e fazendo aquilo que a família adora saborear, ou passar horas com Mariana na cama, discutido o "sexo dos anjos". Porque aprendi que sou imperfeita! Posso falhar como mãe, como "mulher", com o meu trabalho, etc., etc. Por isso desisti de buscar a perfeição. Então me permito deixar um pouco a casa e curtir o domingo, trabalhar quarenta horas semanais, mais deixar tudo de lado a noite, prá ler um livro com meu filho, ou tomar um vinho com meu amado. Aprendi que sempre tem alguém criticando as suas escolhas, então, eu escolho e vivo tentando, ser feliz...E acho que isso vem dando certo, porque Celo, Mari e João, se sentem confortáveis em nosso cantinho e a frase que mais ouço quando estou em casa, é "Mamãe, vem cá!"...rsrs...

terça-feira, 24 de junho de 2014



Em muitas ruas por aqui, fogueiras acesas, gente nas portas, crianças em festa com os fogos... De repente voltei no tempo... A minha infância tinha esse sabor de festas juninas. E essa transformação do nosso jeito peculiar de saudar o São João, com mega eventos e forró eletrônico, sempre me assustou um bocado. Vendo meus filhos, meus sobrinhos e os filhos de nossa terra, comemorando ao nosso modo, me trouxe alento e esperança. Certeza de que a nossa fogueira continua acesa!

quinta-feira, 19 de junho de 2014



Sonhos de celofane
Planos de papel
nuvens esvaindo-se no céu...
E pensar que eu vaguei tanto!
E tudo bem ali 
escondido
no meu próprio recanto...