Para brindar agosto que chega, tão quente prá nós e carregado de simbologias, um poeminha de um dia de agonia...
Eu queria tomar em minhas mãos
essa tua angústia
e lançá-la aos ventos
fazer de tua inquietude
o meu tormento
e de tuas lamúrias
o meu lamento.
Eu queria que o teu pesar
caísse sobre os meus ombros
e eu jogaria em meio ao oceano
esses escombros
aflições se arrastando em mar aberto.
Eu queria tua cabeça em meu colo
cafuné dissipando maus pensamentos
te livrar do fantasma da incerteza
devolvendo para sempre
tua leveza...
(Tâmara Rossene)
sexta-feira, 2 de agosto de 2013
sexta-feira, 26 de julho de 2013
A
Cultura Popular Pede Licença!
Por Orlamara Andrade
Em
nome da cultura popular, em memória dos nossos antepassados, dos nossos pais,
avós, bisavós, tios, tias, em nome dos mestres que se foram, benzedeiras,
parteiras, doceiras, bordadeiras, dos ofícios e modos de fazer, dos reiseiros
Simão, Biscoito, Elizabete, Tarcila, Tinô e tantos outros que se foram, mas que
gostariam de também estar aqui neste momento de reconstrução do que ainda nos
resta. Precisamos salvaguardar nossa cultura popular! “ô de casa, ô de fora, ô
casa, ô de fora, Maria vai ver quem é, Maria vai ver quem é, somos cantador de
Reis, somos cantador de Reis, quem mandou foi São José, quem mandou foi São
José...” Salve Mestre Curuta, salve Dona Teodora, salve Vicente e Dudu, salve
Seu Carmélio e Nêga, Geneliza, Daizinha, Ariberto e Aribertino. Salve Maria e
Matias! Salve as benzedeiras, em nome de Dona Maria e Tia Preta. As parteiras,
em nome de Pomba, Mãe Josina e Mãe Dejanira. Salve os Mestres de capoeira, na
pessoa de Dilcifran. Dos terreiros de Umbanda e Candomblé. Salve Filomena, seu Osvaldo,
Dona Cleonice, salve Pelé e tantos outros que aqui se acham. Os contadores de
causos, lendas e histórias. Orlando Ribeiro de Andrade e Irineu Ribeiro. Dos
poetas, músicos e cantadores. Paulo Cupertino, Sílvio Araújo, Salve Téo
Coutinho! Dos cordelistas, Josemário e Joilson Melo. Do teatro,
Aliomar Joaquim Pereira. Salve, mestre! É preciso preservar o patrimônio e a
memória dos que se foram e ainda do que nos resta. Salve Deus! Salve Nosso Senhor
Jesus Cristo! Salve Deus nas alturas e os homens de boa vontade! Precisamos
Senhores, temos urgência em salvaguardar o pouco do muito, que ainda nos resta.
Nosso passado, presente e futuro. Nossa cultura popular! “Ô dá licença pelo
amor de Deus, meu pai, dá licença nos trabalhos meus. Ô dá licença pelo amor de
Deus, meu pai, dá licença nos trabalhos meus”. E Viva a
cultura popular!
P.S. Na foto, Terno de Reis de D. Teodora, pelas ruas do São Francisco, em 2007.
P.S. Na foto, Terno de Reis de D. Teodora, pelas ruas do São Francisco, em 2007.
quarta-feira, 24 de julho de 2013
Eu escrevo mais por dor
do que por alegria
menos por amor
mais por saudade e nostalgia.
Meus escritos se alimentam
da sangria que escorre.
Do suor
pela ferida que lateja.
Não ganham corpo
com beijo
ou festa
mas pelo olhar tristonho
que esboço pela fresta.
Sem dor
nada me resta!
o que me corrói
se transforma em versos.
Na paz
nada se cria...
em meu universo pantanoso
surge minha poesia!
(Tâmara Rossene)
do que por alegria
menos por amor
mais por saudade e nostalgia.
Meus escritos se alimentam
da sangria que escorre.
Do suor
pela ferida que lateja.
Não ganham corpo
com beijo
ou festa
mas pelo olhar tristonho
que esboço pela fresta.
Sem dor
nada me resta!
o que me corrói
se transforma em versos.
Na paz
nada se cria...
em meu universo pantanoso
surge minha poesia!
(Tâmara Rossene)
quarta-feira, 10 de julho de 2013
Uma poesia de meu pai...
MENINA TRAVESSA
Menina travessa
Das boates da vida
Que rola feliz em braços diversos
Não se preocupando
Com o seu amanhã.
Pensa que é eterna
Que sua beleza jamais passará.
Não quer compromisso
Que a torne responsável
Por uma família
Ou um trabalho qualquer
Que a enobreça
Valorizando seu tempo
Seu corpo e sua graça
Pra ser amanhã
Mais do que hoje é.
Leal, honrada, sincera
Culta, amada,respeitada
Sem entregar-se as ilusões
desmedidas
Que arrastam sem dó
Para os estragos da vida
Nas festas perdidas
Do tempo sem nada
Enfeitando as madrugadas
Dos cabarés da vida
Quando velha
Gorda, abandonada e feia
Os namorados de agora
Jamais virão
Lhe encontrar.
(Orlando Ribeiro de Andrade)
domingo, 30 de junho de 2013

Quando os fogos estouravam anunciando a Procissão de São Pedro no rio, meu coração de menina entrava em festa! Como eu queria descer o rio num daqueles barquinhos ornamentados e me juntar as vozes, aos cantos, ao andor todo enfeitado...Ontem eu senti o mesmo pulsar quando vi as embarcações enfileiradas no São Francisco. Embora o número de barcos estivesse reduzido (ainda que o número de pescadores cadastrados tenha crescido), essa tradição que se mantém, é sinal de que ainda estamos atentos aos costumes, aos ritos, a nossa alma barranqueira...Por segundos, me vi pequena de mãos dadas com minha avó Anália, atenta as reverências ao Padroeiro dos Pescadores. Viva São Pedro! Viva as nossas tradições!
sexta-feira, 28 de junho de 2013
Hoje estou
sofrendo de saudade... de tentar aprender a letra de uma música e de passar
horas tentando compreender a cabeça do autor, em uma palavrinha que me
intrigou. De reeler Cem anos de solidão, sem pressa para virar a próxima
página. De ficar horas a fio olhando nos olhos do meu amor, repetindo histórias
que vivemos e que ficaram esquecidas pelos cantos. De tomar um café com a minha
mãe, deixando a tarde andar, sem pressa. De narrar histórias para os pequeninos
da família, imitando a voz dos personagens e fantasiando junto com eles.
sexta-feira, 7 de junho de 2013
Nas décadas de 60 a 70 observou-se um movimento acentuado de migração, de residentes aqui de Ibotirama, em busca de regiões mais desenvolvidas para sobreviver. São Paulo era o "Eldorado" de muitos! assim como outras cidades do Sudeste e do Centro-Oeste. Anos se passaram e o movimento migratório continua, porém as distâncias se encurtaram. Luís Eduardo Magalhães, Barreiras, tem recebido muitos de nossos conterrâneos, em busca do pão de cada dia. Mas, no passado era muito difícil ver um filho retornar a terra mãe. Mesmo aqueles que saíam apenas para estudar. Agora, tenho observado esse movimento acontecer. Temos visto filhos da terra que partiram e que agora voltam prá os braços do Bom Jardim. Muitos, com formação profissional, o que só nos engrandece. Eu mesma cumpri esse ciclo. Romantismos a parte, acho bacana essa coisa de termos saído em busca de crescimento e de voltarmos para contribuir com a terra que nos pariu. Se as oportunidades fossem maiores nos pequenos municípios brasileiros, essa realidade inverteria a lógica de buscar os grandes centros. Os aglomerados urbanos se reduziriam, junto com os bolsões de pobreza. Isso sem falar dos vínculos reatados, dos cordões reconstituídos, da história interrompida que agora recomeça...
P.S. Acima, a festa de São João, também de volta, no correto...
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